Insustentabilidade na Terceira Idade

Fragilidade financeira e de saúde


Helena Polak é casada, 73 anos, classe média foi entrevistada pela Filha&Cia para falar sobre os desafios da terceira idade e citou dois principais: a fragilidade financeira e de saúde, às vezes andando lado a lado.


Mencionou primeiro e mais preocupante é a insuficiência de uma aposentadoria que desse conta de pagar todos os compromissos do dia a dia. Ela não tem luxo, casa quitada, um carro, que apesar de ser mais do que muitos outros idosos, existe o peso de se mantê-los entre custos de manutenção e impostos. A dificuldade principal, segundo ela, é manter um seguro de saúde privado devido ao seu alto valor mensal.


Para tentar compensar a insuficiência da sua aposentadoria e de seu marido, ela se vê obrigada a continuar trabalhando independente de problemas de saúde e algumas limitações físicas. O mercado de trabalho, no seu caso de tradução, tem grande volume e urgências em horários variados. Para conseguir ganhar o que é preciso, muitas vezes Helena trabalha à noite e por vezes até no fim de semana.


Helena explica ainda que muitas pessoas não levam em consideração a frequente necessidade de se ajudar financeiramente filhos, netos e em casos de outras famílias até irmãos e pais ainda vivos. “As circunstâncias financeiras estão jogando todo mundo em uma forçada interdependência mútua que é insustentável para todos”.


Quando a situação financeira permite, pais ajudam os filhos e ficam sem reservas e levam os filhos a ajudar os pais quando sua situação melhora. No final, todos ficam sempre no limite, o que causa muito estresse físico e emocional.


Outros desafios


O aumento das limitações físicas, dores e doenças na terceira idade são assustadoras, segundo Helena Polak. Sem contar quedas e acidentes que são medos constantes. “E quando somos tratados pelo plano em situações de emergência, um acompanhamento pelo médico que acompanhou seu caso significa altos desembolsos”. A maioria dos médicos não estão no plano de saúde.


Em casos mais extremos, com doenças terminais ou deficiência de mobilidade, ela diz que o idoso não quer ser um estorvo para seu familiar com seus problemas de saúde. Mas ela conta que não existem casas de repouso particulares economicamente viáveis e nenhuma disponibilizada pelo SUS.


Rumores de que a farmácia popular possa desaparecer com uma canetada do governo, é um dos exemplos que Helena dá para reclamar d a falta de informação e de veículos de comunicação com notícias pertinentes para vida das pessoas acima dos 60.


“Gostaria de poder ficar atualizada de tudo o que envolve ser idosa”, fala Helena. “Notícias sobre saúde, tratamentos mais naturais, medicamentos alternativos, ajudas financeiras, descontos e incentivos fiscais, oportunidades de mercado e outras informações. Esses veículos não existem privados ou públicos.


O governo, segundo ela, “pode até ter intenções boas, mas que não se traduzem na realidade”. E a realidade não está sustentável, em todos os sentidos da palavra, para a grande maioria dos idosos, encerra ela.

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