Sob o olhar do cuidador



Com o processo de envelhecimento da população e, consequentemente, o aumento do número de idosos com alguma doença crônica ou incapacitante tornando-os dependentes, muitas vezes o familiar não está adequadamente apto para cuidar da forma correta, assumindo uma sobrecarga física e emocional. Nesse contexto, o cuidador passa a ser um parceiro indispensável.

O cuidador é a pessoa que cuida do idoso dependente no exercício de suas atividades diárias (alimentação, higiene pessoal, administração de medicamentos via oral e acompanhamentos), interagindo com a equipe de saúde, com o foco no bem-estar, prevenção e tratamento. Ele realiza tarefas que outrora era de cunho individual e faz pela pessoa assistida aquilo que ele mesmo faria, se não fossem as limitações impostas pela sua atual condição de saúde, garantindo conforto, estímulo e independência. Quem escolhe trabalhar na função de cuidador, exercendo a carreira com competência e serenidade, deve desenvolver algumas qualidades, entre elas instinto, vontade, iniciativa, disponibilidade, responsabilidade, motivação, gentileza, empatia, ética, bom senso e apresentação. Além de capacidades intelectuais e físicas.


Para ter sucesso na profissão, é fundamental que o cuidador esteja devidamente orientado sobre como cuidar do idoso, levando-se em conta as características da enfermidade e o seu grau de complexidade e dependência. Por isso torna-se essencial investir em conhecimentos específicos para cada tipo de tratamento e ainda ter uma visão ampla sobre o processo de envelhecimento e suas dificuldades. Muito importante também é dar apoio emocional e prático, permitindo ajuda mútua entre cuidador e paciente. O cuidador em domicílio oferece uma série de pontos positivos para todos os envolvidos no tratamento, dando a continuidade necessária para a convalescença. A vivência do idoso no seio familiar acelera o processo de recuperação e evita o deslocamento de familiares para o hospital, diminuindo assim o tempo de internação. E do ponto-de-vista dos familiares, o fato de estarem próximos ao seu ente querido e acompanhá-lo de perto, favorece os laços afetivos.


No entanto, algumas dificuldades são apontadas no desempenho da função de cuidador. Uma delas é fazer com que o familiar aceite, em certos casos, a irreversibilidade da doença e os tratamentos propostos. Outro problema é lidar com o emocional do idoso, pois não raro a pessoa idosa não admite a sua condição de dependente e passa a rejeitar o profissional. Importante ressaltar ainda nessa profissão que o cuidador não é enfermeiro e nem empregado doméstico. Ele não pode receitar ou indicar tratamentos ou remédios, realizar procedimentos de enfermagem e nem fazer serviços domésticos que não estejam diretamente relacionados ao idoso e ao seu ambiente.


Segundo dados do IBGE, estima-se que até 2050 o número de idosos no mundo todo deve chegar a 2 bilhões, sendo mais da metade na faixa etária de 85 anos pra frente, apresentando algum grau de incapacidade. Diante disso é oportuno olhar para o cuidador de idoso com uma visão mais crítica.


Atualmente, o perfil do cuidador faz parte de uma rede autônoma, geralmente desintegrada dos serviços de saúde. É de grande necessidade a ampliação de ações que tenham o cuidador como sujeito principal para que essa atividade seja reconhecida e investida em práticas adequadas, trazendo benefícios para quem cuida e para quem é cuidado. Não existe hoje um programa destinado a prevenir os efeitos adversos do cuidar e de trabalhar na busca da qualidade de vida desse profissional. Por isso, o cuidador sem suporte pode ser, no futuro, o idoso a ser cuidado.

Por esses motivos, cuidar não é uma tarefa fácil. Requer uma mudança radical na vida de quem cuida e também exige a execução de tarefas complexas, delicadas e sofridas. Demanda também dedicação exclusiva, tendo muitas vezes que se adaptar a uma nova dinâmica de vida baseada nas necessidades do seu idoso, o que na maioria das vezes se torna uma tarefa árdua e desgastante . Cuidar é um ato de amor , uma arte, uma doação. Só cuidar e zelar, não o torna um bom cuidador. É preciso ter disponibilidade, capacidade e fazer dessa profissão, um prazer. A Filha & Cia sabe o quanto é importante ter o idoso assistido por um profissional competente, gentil, comprometido com a ética e com a qualidade, zelando pela saúde, bem-estar e segurança. Para isso, conta com os mais rigorosos critérios de recrutamento e seleção a fim de assegurar que a pessoa selecionada esteja apta para suprir todas as exigências e auxiliar no desgaste que o momento de incapacidade venha apresentar.


Luciane Regina Cassanti

Técnica em instrumentação cirúrgica e bacharelando em Gerontologia. Coordenadora executiva dos Serviços de Home Care na empresa Filha & Cia.

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